slots city -"Se eu pudesse trocar tudo hoje pra poder estar com meus filhos lá e ter minha liberdade, minha cabe

Saudaslots city -de que dói

"Se eu pudesse trocar tudo hoje pra poder estar com meus filhos lá e ter minha liberdade,slots city - minha cabeça tranquila, poder deitar num travesseiro e descansar, eu trocaria. A liberdade da gente é tudo." Quem fala assim é Adelaide Terezinha Loiola. Além de mãe, ela é uma das 2.492 mulheres encarceradas no estado do Rio Grande do Sul e das 28.699 no Brasil. "A cada mãe – continua – que pudesse falar, eu diria: 'Não se envolva nisso. A família da gente é mais importante, nada compra a nossa liberdade, nada`. 
    
Adelaide é dona de uma das cinco histórias retratadas no documentário Olha pra Elas, da diretora Tatiana Sager e dos roteiristas Renato Dornelles e Luca Alverdi, que está nos cinemas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

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Ela nasceu em Rodeio Bonito, no Norte gaúcho, região da pequena agricultura, onde viveu uma infância, pobre, triste e violenta.
    
Neste fim de semana do Dia das Mães, a entrevista especial do Brasil de Fato RS é com essa mãe para ouvir e percorrer sua trajetória de sofrimento, castigo e reabilitação.  


"Os meus filhos ficarem vivos é o importante para mim. Aqui tá descansado o meu coração" / Foto: Fabiana Reinholz

Brasil de Fato RS - Começa contando a tua história: onde nascestes e como foi tua infância?

Adelaide Terezinha Loiola - Nasci em Rodeio Bonito. Minha infância foi muito triste e muito ruim. Teve um pouco de bom, mas o resto não foi aquela maravilha. O que eu sofri... Fui abusada pelo meu pai, eu era nova. Esquecer a gente não consegue. Mesmo fazendo muitos anos, isso a gente vem trazendo e aconteceu com as minhas filhas. 

BdFRS - Teu pai também? 

Adelaide - Não, meu ex-marido. Foi tudo uma coisa muito difícil. O que aconteceu comigo aconteceu com elas, com minhas filhas também. É sofrido. Não gosto nem de lembrar desse momento, que dói muito na gente. Só Deus sabe como é difícil lembrar dessa história. Não quero lembrar mais. Quero tentar esquecer tudo. Tive muito apoio lá no presídio (Madre Peletier, em Porto Alegre) com a dona Carol, a dona Sandra, elas me apoiando muito. A Sandra é da assistência social. Trabalhava de psicóloga lá. Daí foi muito valioso o que me ajudaram. Conseguiram fazer eu botar pra fora tudo o que eu tinha dentro... 

Ele deixava a minha mãe dormindo e ia pra minha cama incomodar a gente

BdFRS - Nunca tinhas falado sobre isso? 

Adelaide - Não conseguia me abrir. Não conseguia botar pra fora aquilo. Já as minhas filhas não. Minhas filhas conseguiram chegar em mim, pedir o meu apoio e foi ali que ajudei. Eram crianças. Denunciei e até hoje com o meu ex-marido não aconteceu nada. 

Eu, quando era criança, não pude fazer isso. Se a gente falasse antigamente, a mãe achava que a gente era culpada. Que a gente era culpada de tudo que estava acontecendo. Então, daí a gente não podia. 

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BdFRS - Tinhas que idade? 

Adelaide - Eu tinha uns sete ou oito anos quando ele comecou. Foi até uns 11 anos mais ou menos. Quando eu tinha uns 15 ou 16 anos saí de casa. Daí comecei a aprender um pouquinho mais e vi que estava errado. Eu tinha que estar correndo. Não podia deitar de meio dia que ele ia incomodar na cama. Deixava a minha mãe dormindo lá na cama deles e ia lá pra minha cama incomodar a gente. Eu tinha mais irmãs. 

BdFRS - E ele fazia em todas? 

Adelaide - Não sei. Nunca consegui me abrir com elas sobre isso. Nem com minhas irmãs, nem com minha família, nunca consegui me abrir, mas provavelmente sim. Acho meio difícil que não. 

BdFRS - É uma família de quantos irmãos? 

Adelaide - Nós somos em 11. 

BdFRS - E os teus pais com o que trabalhavam? 

Adelaide - Na lavoura. 

BdFRS - E tu chegastes a estudar? 

Adelaide - Só até a terceira série. Com 12 anos saí do colégio. 

Comecei me virar sozinha. Passava para um lado e para outro, passando fome

BdFRS - E fostes para onde? 

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